Sono (2013), Haruki Murakami

sono

«Há dezassete dias que não durmo.» Assim tem início a história que Haruki Murakami imaginou e escreveu sobre uma mulher que, certo dia, deixou de conseguir dormir. Pela calada da noite, enquanto o marido e o filho dormem o sono dos justos, ela começa uma segunda vida. E, de um momento para o outro, as noites tornam-se de longe mais interessantes do que os dias… mas também, escusado será dizer, mais perigosas.

Apreciação

‘Sono’ é um pequeno conto de Haruki Murakami que acompanha a história de uma mulher que não dorme há dezassete dias. Certa noite, depois de acordar de um pesadelo, a nossa protagonista deixa simplesmente de conseguir dormir e, ao contrário do que seria de esperar, este é um acontecimento que a permite focar-se mais em si mesma e centrar-se no que a faz sentir bem, questionando a realidade e definindo prioridades que a sua mente confusa não consegue distinguir.

Passado maioritariamente durante a noite, este conto possui uma carga um pouco pesada. No entanto, é difícil não gostarmos de conhecer detalhes sobre o desafio da protagonista e de acompanharmos a sua degradação subtil, de dia para dia, o que resulta num livro que trata acerca da sensibilidade desta mulher. Começando no presente e terminando no passado, Haruki Marukami joga com o leitor e deixa-o embrenhar-se num conto non-sense, negro, bonito na sua essência. O final, porém, é um tanto despropositado, talvez porque a minha ânsia em resolver este mistério era tão grande que fiquei desiludida com o desfecho abrupto. Mas mesmo decepcionada com o final, ficando a pensar sobre ele e pesquisando sobre o livro, atingi o objectivo proposto pelo autor: carimbar-mo no tempo.

“No one in my family, not one of my friends or classmates realized that I was going through life asleep.
It was literally true: I was going through life asleep. My body had no more feeling than a drowned corpse. My very existence, my life in the world, seemed like a hallucination. A strong wind would make me think my body was about to be blown to the end of the earth, to some land I had never seen or heard of, where my mind and body would separate forever. ‘Hold tight,’ I would tell myself, but there was nothing for me to hold on to.”

A ilustração é da responsabilidade de Kat Menschik e merece ser apreciada.

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O conto está disponível aqui em inglês, na íntegra.

E poderá comprá-lo já aqui.