Entrevista a Maria João Lopo de Carvalho (Padeira de Aljubarrota, 2013)

maria_joao_lopo_carvalhoHá uns dias tive o prazer de receber a visita de Maria João Lopo de Carvalho no blog, o que acabou por resultar numa pequena entrevista à escritora sobre o tema do seu mais recente livro, ‘Padeira de Aljubarrota’. A abordagem é descontraída e informal, tendo optado por explorar um pouco a dedicação de Maria João à escrita e, em particular, a este novo projecto. Espero que gostem!

1. Maria João, porquê a Padeira?

Para mim a metáfora da padeira de Aljubarrota representa toda a força e energia de um povo que não se deixa resignar, arregaça as mangas e supera-se! Tem sido assim ao longo de 8 séculos de história!

2. A pesquisa para este livro é notoriamente muito vasta e aprofundada. É a paixão que a move?

Sem estar apaixonada por uma personalidade ou por uma causa não escrevo uma só linha! E, se o fizesse, os leitores apercebiam-se logo. Se alguma virtude tem a minha escrita é sobretudo a de denotar emoção e entusiasmo enquanto «conto uma história»

3. Ao ler ‘A Padeira de Aljubarrota’, senti que estava dentro da história, no meio do povo e com a Corte. O que sente acerca da disparidade entre o modo de vida do povo e da Corte?

Então, como agora, é uma realidade com que temos de viver.. O exemplo vem de cima, não é?

Padeira de Aljubarrota é o mais recente livro de Maria João, lançado em Outubro de 2013

Padeira de Aljubarrota é o mais recente livro de Maria João, lançado em Outubro de 2013

4. As personagens são tão reais, tão sentidas. Como encara as diferenças entre elas? É fácil escrever sobre Brites, personagem tão robusta, e logo depois sobre a fragilidade de Beatriz enquanto criança?

Tentei que as personagens, sendo muito distintas e contraditórias, quase como se fossem um espelho de opostos, crescessem à imagem e semelhança do que foram, tanto na realidade histórica – Beatriz – como no universo lendário – Brites. Quando estamos lá, quando viajamos ao século XIV, o filme passa à frente dos nossos olhos como se fosse feito de pessoas de carne, osso, alma e coração. Depois basta descrever o que estou a «ver» e sobretudo a sentir…

5. Estreou-se nos romances históricos em 2011, mas tem um vasto percurso na literatura. O que a fez aventurar-se neste género?

A paixão pela escrita. A paixão por contar histórias e fazer com que o leitor as «ouça» com o mesmo entusiasmo com que eu as conto.

6. Qual o segredo para escrever um livro com tanto pormenor? Paixão, pesquisa, dedicação?

Primeiro a curiosidade sobre uma época que me desperte interesse, Depois, o prazer pelo estudo e, finalmente, a vontade de partilhar o que aprendi sem induzir o leitor em erro. Tento sempre ser fiel à realidade histórica e procuro atingir o máximo de perfeição e rigor.

7. Para os escritores amadores, e mesmo para aqueles que já se estrearam na escrita, que sugestão gostaria de dar para os ajudar a encontrar o seu caminho?

«Nunca desistam de lutar com todas as forças por aquilo em que acreditam. O S de Sorte, tal como no alfabeto, só vem depois do P de paixão. É preciso muita Paixão por aquilo que fazemos para termos alguma sorte!!!»

Podem ler mais sobre o livro ‘Padeira de Aljubarrota’ aqui.