A trança de Inês (2001), Rosa Lobato de Faria

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Baseado no mito de Pedro e Inês (mais na lenda do que na História), um romance sobre a intemporalidade da paixão, onde se abordam também alguns mistérios da existência. Assim as mulheres passam umas às outras a sua teia ancestral de seduções, subentendidos, receitas que hão-de prender os homens pela gula, a luxúria, a preguiça e todos os pecados capitais, é por isso que elas nunca querem os santos, os que não se deixam tentar, os que resistem à mesa, à indolência, à cama, à feitiçaria dos temperos, ao sortilégio das carícias, à bruxaria das intrigas.

Apreciação

Rosa Lobato de Faria é uma referência na literatura portuguesa e ‘A trança de Inês’ pode ser um bom exemplo da flexibilidade da autora dentro deste género mais ‘ligeiro’. A bem dizer, este é um livro que reflecte a sensibilidade da autora e que confirma a sua capacidade de criar histórias e de nos empurrar para dentro delas.

Centrando-se na mais trágica história de amor portuguesa, a de Pedro e Inês, Rosa Lobato de Faria narra três períodos que se desenrolam em paralelo. Este paralelismo acontece a dois níveis: a narrativa centra-se sempre no mesmo protagonista e coloca-o em simultâneo a viver três realidades distintas; e no cruzamento perpétuo de Pedro com a sua amada Inês, rodeado dos familiares e personagens mais próximas que marcaram e determinaram o desfecho fatídico deste casal.

Vivido no passado, no presente e no futuro, este livro desvenda alguns pormenores e aprofunda a tragédia de Pedro e Inês em momentos distintos, realidades distintas e circunstâncias distintas. Com a consciência de que vive estas três vidas em simultâneo, Pedro analisa todos os seus passos e questiona-se acerca do destino que o espera, na repetição constante da paixão arrebatadora por Inês e na morte que inevitavelmente aguarda cada uma destas histórias.

No seu todo, o resultado é uma breve reflexão sobre a vida e sobre as escolhas, as quais determinarão a forma como cada pessoa vive a sua vida e qual os motivos que a movem. Será a loucura o objecto de causa e, em simultâneo, efeito da viagem deste homem no tempo? Para além destas questões levantadas, gostei nomeadamente da abordagem que a autora faz à sobrepopulação, uma preocupação omnipresente que determina a forma como a humanidade se adaptou ao planeta. Resumindo? Aconselho!

Se ficou interessado neste livro, porque não ler opiniões de outros bloggers?

Monster blues
Delícias à lareira

Podem também conhecer este livro de forma aprofundada lendo este estudo chamado ‘O percurso do Mito Inesiano da Literatura ao Cinema: Exercício de Transposição Didática de A Trança de Inês‘.

E poderá comprá-lo já aqui.