Palavras cruzadas

Seguindo o exemplo do Nuno do blog Página a Página, partilho convosco algumas curiosidades que nasceram de um vídeo no YouTube. Não vou fazer um vídeo meu, mas sempre posso tentar conferir um discurso mais oral nas respostas ao questionário (a fingir que resulta, ok?). Ora vamos lá.

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     1. Vox Populi (um livro para recomendar a toda a gente)

Sim, sim, isto pode parecer repetitivo, mas não deixem de ler ‘O drama de Jean Barois‘, de Roger Martin du Gard. Fala de um ateu militante que prega o ateísmo como se a sua vida dependesse disso. Certo dia, ao sofrer um enorme acidente (não de carro, mas de carroça), dá por si a rezar para que sobreviva. Ora, posto isto, Barois escreve um testamento onde diz algo como “Sou absolutamente ateu mas, conhecendo como me conheço, já sei que, na hora da minha morte, me vou converter. Neste momento, estou na posse de todas as minhas faculdades mentais e peço-vos que não me levem a sério, porque será o medo da morte a falar”. Leiam, sim?

   2. Maldito plágio (um livro que gostávamos de ter escrito)

Estou a resistir à tentação de responder o mesmo que o Nuno, dizendo que ‘A sombra do vento‘ é o livro que EU deveria ter escrito. Mas não. Não ter escrito ‘Ensaio sobre a cegueira‘, de Saramago, é um enorme desgosto.

     3. Não vale a pena abater árvores por causa disto

Não costumo ler livros tão maus que possam constar aqui mas, se é para levar este questionário a sério, vou ter de dizer que ‘Sexo e a cidade’ de Candace Bushnell é um autêntico desperdício de papel.

Sem desprestígio para a autora, claro.

     4. Não és tu, sou eu (um livro bom lido na altura errada)

Esta é difícil. Houve um livro que desisti a meio mas que, passado uns anos, recomecei e a-do-rei. Trata-se, sem mais nem menos, d’A sombra do vento‘, acreditam? Mas há livros que já comecei e não lhes dei sequer uma segunda oportunidade, porque não estava com disposição para isso. É o caso do ‘Os homens que odeiam as mulheres’, de Stieg Larsson. Lá está: não és tu, sou eu.

     5. Eu tentei… (um livro que tentámos ler mas não conseguimos)

Esta está relacionada com a resposta anterior mas, se querem mesmo saber, também não consegui manter a leitura do ‘Deixa o grande mundo girar’, de Colum McCann. Mas que ensaboadela…!

     6. Hã? (um livro que lemos e não percebemos nada ou um livro que teve um final surpreendente)

Claramente isto acontece em ‘Sono‘, de Murakami. A pergunta que fica no ar é: Então mas…?

     7. É tão bom, não foi? (um livro que devorámos)

Mais uma vez, isto aconteceu-me com ‘Sono‘, embora tenha tenha devorado também nessa altura e em muito pouco tempo ‘A padeira de Aljubarrota‘, de Maria João Lopo de Carvalho.

     8. Entre livros e tachos (uma personagem que gostaríamos que cozinhasse para nós)

Mais simples é impossível: Vianne Rocher, do livro ‘Chocolate‘, de Joanne Harris.

   9. Fast Forward (um livro que podia ter menos páginas que não se perdia nada)

Comentei precisamente isto há muito pouco tempo acerca do ‘Uma morte súbita‘, de J.K. Rowling.

     10. Às cegas (um livro que escolheríamos só por causa do título)

Seria impossível eu fazer uma coisa destas mas, se é para cometer uma loucura, optaria por um livro como ‘Correr mais e melhor’, de Scott Douglas (obrigada homepage da Wook).

     11. O que conta é o interior (um livro bom com uma capa feia)

Não gosto nada de capas pirosas e com coisas coladas, como é o caso dos livros da trilogia ‘As memórias de Cleópatra‘, de Margaret George.

     12. Rir é o melhor remédio (um livro que nos tenha feito rir)

O filho do bastardo‘, de Tom Sharpe, que tem tanto de absurdo como de cómico. É imperdível!

     13. Tragam-me os Kleenex, se faz favor (um livro que nos tenha feito chorar)

Devo ter um coração de pedra, porque não choro quando leio. MAS (sim, há um mas), emocionei-me muito recentemente ao ler o ‘Maus‘, de Art Spiegelman, que narra cenas indescritíveis vividas nos campos de concentração durante a segunda guerra mundial.

     14. Este livro tem um v de volta (um livro que não emprestaríamos a ninguém)

Normalmente empresto livros – e até com bastante regularidade. Acho, sim, que vou oferecer uma certa resistência quando tiver de partilhar o livro que ainda estou a escrever. Isto faz sentido?

     15. Espera aí que eu já te atendo (um livro ou autor que estamos constantemente a adiar)

Gonçalo M. Tavares. Já ouvi falar maravilhas mas tenho a agenda totalmente preenchida para os próximos meses, lamento!