The Complete Maus (1991), Art Spiegelmen

maus

Combined for the first time here are Maus I: A Survivor’s Tale and Maus II – the complete story of Vladek Spiegelman and his wife, living and surviving in Hitler’s Europe. By addressing the horror of the Holocaust through cartoons, the author captures the everyday reality of fear and is able to explore the guilt, relief and extraordinary sensation of survival – and how the children of survivors are in their own way affected by the trials of their parents. A contemporary classic of immeasurable significance

Apreciação

Como houve um leitor que comentou no Goodreads, ‘Maus’ não é um livro. É uma experiência. Normalmente, em livros que narraram histórias passadas na segunda guerra mundial, temos uma visão como que ‘micro’ do que foi o Holocausto. Contudo, ‘Maus’ é muito mais que isso: é a história real de um homem que viveu as várias faces de terror deste período negro; é a história de sobrevivência de uma família; é a história de todos os judeus na Europa em meados do século XX.

Não há muitas palavras que possam descrever este livro de banda desenhada, que com tanto pormenor nos guia pela vivência de dor, mágoa, incompreensão e injustiça vividos por Vladek, o pai do autor Art Spiegelman. Ao longo das páginas, Art representa-se a si próprio a entrevistar o pai, descrições as quais descobrimos via ‘flashbacks’ muito completos, vívidos e plenos de emoção. O resultado é uma montanha russa de emoções, que variam entre a dificuldade em lidar com a saudade e com o medo, a determinação e perspicácia na tomada de decisões que podem colocar a sua vida em jogo, a atribuição de auto-sentimento de culpa do filho por ter uma vida bastante mais facilitada que as dos seus pais, a resistência em fugir a hábitos adquiridos durante a guerra, entre muitas outras emoções que nos deixam os nervos à flor da pele e com uma profunda sensação de empatia para com o protagonista – e isto é algo muito difícil de concretizar.

Os desenhos são pretos em fundo branco e as linhas pesadas, os cenários com muitos pormenores e densos, os diálogos crus e despidos de preconceitos, as personagens lineares e emotivas. Tudo carregado de simbolismo. E onde tudo resulta num testemunho cerrado que deve ser lido com calma e atenção.