Entrevista a Isabel Alçada

voluntarios_leitura

Voluntários de Leitura é um projecto promovido pelo CITI – Universidade Nova de Lisboa em parceria com a AVL – Associação para o Voluntariado de Leitura. Com o objectivo de potenciar o desenvolvimento de uma rede nacional de voluntariado na área da promoção da leitura através de uma plataforma digital que estimule a adesão de voluntários e funcione como instrumento congregador de iniciativas de escolas, bibliotecas e outras organizações, este projecto conta já com 1091 portugueses que têm como principais objectivos promover o prazer de ler, ler para grupos e apoiar os profissionais em actividades de promoção de leitura.

Isabel Alçada, a Coordenadora-geral do ‘Voluntários de Leitura’, explica-nos a importância deste projecto.

Como surgiu este projecto ‘Voluntários de Leitura’?

O projeto “Voluntários de Leitura” surgiu para organizar a participação de cidadãos na promoção da leitura que se realiza em escolas, bibliotecas e outras organizações. O lançamento foi feito a partir de uma parceria entre a Associação para o Voluntariado de Leitura e o Centro de Investigação para as Tecnologias Interativas da Universidade Nova de Lisboa. Estas duas organizações conceberam uma plataforma online para divulgar os objectivos e as atividades do projeto e também para receber de inscrições de voluntários e de organizações de acolhimento. A plataforma inclui formação em sistema de e –learning para todos os participantes – tanto para os voluntários, como para os responsáveis pelo acolhimento.

O voluntariado de leitura ainda é um conceito que precisa de visibilidade em Portugal. A adesão tem sido positiva por parte da comunidade local?

O projeto  estabeleceu desde logo parcerias com a Rede de Bibliotecas Escolares, com o Plano Nacional de Leitura e com as Bibliotecas Públicas que integram a Rede de Leitura Pública, para promover o conceito e para estimular a inscrição de voluntários e de instituições onde a leitura é promovida.  A adesão tem sido bastante positiva. A divulgação foi feita através da plataforma Voluntários de Leitura e das redes sociais, em particular o Facebook, bem como em sessões públicas realizadas com o apoio de Câmaras Municipais, em Bibliotecas, em Associações, em Universidades. A adesão foi desde logo bastante positiva com inscrições em todo o país. Recebeu apoio mecenático da Fundação Calouste Gulbenkian e do Montepio que têm financiado a elaboração e disponibilização dos recursos.

De que forma se têm envolvido com as várias entidades relacionadas com este conceito, nomeadamente escolas, universidades sénior, bibliotecas…, para além de acções de voluntariado?

As escolas e bibliotecas são instituições de acolhimento de voluntários. Inscrevem-se no projeto, recorrendo a fichas disponibilizadas na plataforma e a coordenação do projeto remete-lhes os contactos dos cidadãos que se inscrevem para prestar voluntariado na sua área geográfica. No caso das escolas, a colocação e o acompanhamento dos voluntários é feita pela estrutura de apoio da Rede de Bibliotecas Escolares. Quanto às Universidades Seniores a sua estrutura de coordenação – RUTIS-  constituiu-se como parceira e promove junto dos seus associados a divulgação do projeto para captar potenciais interessados.

Têm muitos voluntários?

Até à data o projeto recebeu a inscrição de 1091 cidadãos de todo o país, que têm vindo a ser colocados, sobretudo em escolas e bibliotecas públicas para exercerem o voluntariado de leitura.

Em que têm consistido ao certo as acções que têm trabalhado com os voluntários?

Nas escolas os voluntários realizam atividades de leitura junto de crianças, maioritariamente do ensino básico, sobretudo no 1º ciclo. Podem fazer :leitura a par – com uma só criança ou com pequenos grupos de duas ou três ; leitura em voz alta – para grupos pequenos, nas bibliotecas escolares, ou para turmas, nas salas de aula; apoio à organização e dinamização da biblioteca – colaborando com as equipas nas diferentes ações do quotidiano da biblioteca ou em iniciativas especiais como a Semana da leitura, as visitas de autores ou as feiras do livro.

Nas Bibliotecas Públicas têm colaborado nas iniciativas de dinamização dirigidas a crianças ou nas actividades de organização.

Hoje em dia, são muitas as empresas que optam por reforçar as suas políticas de responsabilidade social, associando-se a instituições e causas com a doação de vários tipos de bens e serviços. Estão de alguma forma ligados a este tipo de acções, ou pretendem vir a estar?

O Montepio associou-se desde logo ao projeto, prestando um importante apoio através da Fundação Montepio e organizando grupos de colaboradores que têm participado como voluntários. A Lusitania seguros tem igualmente prestado um contributo relevante, assegurando os seguros dos voluntários. Temos todo o interesse em alargar as parcerias com empresas no quadro da sua responsabilidade social.

Estando este projecto focado na sensibilização para a literacia e para, de certa forma, a mudança de hábitos de consumo, considera que Portugal está no bom caminho para fazer subir as taxas de literacia?

As políticas educativas e culturais que têm apostado nas bibliotecas escolares e públicas e na promoção da leitura, junto de crianças e jovens, em contexto escolar e familiar, com obras adequadas, escolhidas pelos docentes e pelos bibliotecários, abriram excelentes perspetivas.  As taxas de literacia têm vindo a subir, mas temos ainda um longo caminho a percorrer. Para evitar recuos é indispensável renunciar a programas centralizados, de modelo único, que não confiam na competência dos profissionais de leitura.

Que medidas, de forma geral, considera prementes para travar a iliteracia e contribuir para aumentar o interesse da população nas letras, nos livros, na leitura?

A literacia e os hábitos de leitura devem continuar a ser incentivados através de dois eixos articulados:

  • Programas abertos na linha do Plano Nacional de Leitura – com iniciativas para alargar o conhecimento e a apreciação de obras escolhidas com liberdade para assegurar adequação aos públicos a que se destinam, (evitando programas como as Metas de aprendizagem, centradas na imposição de textos obrigatórios que suscitam desinteresse e rejeição da leitura).
  • Continuação do investimento nas bibliotecas escolares e nas bibliotecas públicas, permitindo a sua continuada atualização e a colocação de todo o tipo de livros e recursos digitais ao alcance de todos.

Isabel Alçada: Investigadora, escritora e professora. Como escritora de livros infanto-juvenis estreou-se em 1982, em parceria com Ana Maria Magalhães, com a colecção “Uma Aventura”, que conta hoje com mais de 50 volumes, e depois “Viagens no Tempo”.

Voluntários de Leitura: Conheça mais e inscreva-se como voluntário aqui.