O eremita (1971), T. Lobsang Rampa

eremita

Lobsang Rampa escreve neste livro a história narrada por um monge cego que conheceu em sua juventude. Este diz ter conhecido os “Jardineiros da Terra”, um grupo de extraterrestres que tem como missão espalhar a vida e cuidar das bases sociais pelo universo. Os Jardineiros mostram ao Eremita a formação da vida na Terra.

Apreciação

A terceira visão’ foi um dos livros de carácter religioso que li com maior interesse e dedicação e que, passados muitos anos, ainda me desperta muita curiosidade. Quem era este Lobsang Rampa que, com apenas um livro, cativou o meu interesse na cultura budista e na forma de vida dos monges tibetanos? Há quase 20 anos, quando li esse livro pela primeira vez, estava longe de imaginar que este monge tibetano que partilhara as suas memórias sobre a sua entrada num mosteiro era, de facto, um canalizador inglês.

Cyril Henry Hoskin é o nome do autor de uma série de livros de teor metafísico que narram as experiências e a vida de um monge tibetano desde o momento em que nasce. Os seus primeiros anos de vida são narrados minuciosamente no incrível ‘A terceira visão’, onde são desvendados alguns segredos sobre a forma de estar dos monges tibetanos e o relacionamento com o Dalai Lama. A dúvida que se impôs com este primeiro livro foi: como é possível um ‘cidadão comum’ ter tido acesso a informação tão sensível e confidencial? A verdade é que Cyril Henry Hoskin afirma ter tido possuído pelo espírito de Lobsang Rampa, o que permitiu que descrevesse com exactidão as suas vivências ao longo de todas as obras lançadas.

Posto isto, independentemente do que possa julgar sobre o tema, ao encontrar na minha ‘biblioteca pessoal’ um exemplar antigo do ‘Eremita’, decidi explorar um pouco mais este tema que tem tanto de especulativo como de curioso. Como resultado, não consigo esconder a minha decepção.

No livro ‘Eremita’, Lobsang Rampa visita um velho eremita nos seus últimos dias de vida para que este possa partilhar consigo os segredos que lhe foram confiados desde que foi levado a levar uma vida de solidão e reflexão. Se, por um lado, as páginas estão cheias de pormenores sobre a forma de vida dos eremitas até ao mais ínfimo pormenor, por outro, os segredos que o autor revela terem-se sido transmitidos são, no mínimo, surpreendentes (em todos os sentidos).

Vamos por partes:

O eremitão vive só e em contemplação. Neste livro, narram-se episódios de homens que se isolam até à loucura, no buraco mais negro, no local mais inóspito, da forma mais dolorosa para o comum ser humano. Parece-me que não há espaço para muitas dúvidas no que respeita à pesquisa feita sobre este tema. Talvez tenha sido este o factor que me influenciou a dar duas estrelas ao livro no Goodreads, em vez de apenas uma.

Passando então à parte mais interessante: os segredos que Lobsang revela, e os quais os leitores –  como eu ou tu – deveremos levar a sério, são, nada mais nada menos, do que a influência extra-terrestre na criação do Planeta Terra e da Humanidade. Atenção: não quero com isto falar da crença ou descrença sobre a vida noutros planetas. Aquilo que me colocou mais reticente sobre este livro foi a postura do autor sobre o tema. Afinal, o que pretendia Lobsang Rampa com esta obra?

Escrito em meados do século XX, este livro revela detalhes tecnológicos longínquos no tempo, o que demonstra claramente um esforço para a adequação temporal do homem no tempo e no espaço em que a história decorre. Por outro lado, é incrível a enorme imaginação do autor em querer explicar fenómenos relatados na Bíblia e relacionados com o nascimento do Cristianismo: Arca de Noé, Jesus Cristo, Satanás, entre outros, o que me leva mais uma vez a duvidar: O que pretendia, afinal, o autor com isto? De que forma é que este, ou outro qualquer, monge tibetano está interessado em explicar seja o que for que o Cristianismo defende?

De forma geral, sejam os leitores Evolucionistas ou Criacionistas, a verdade é que, finda a última página, este livro deixa um sabor amargo que só pode ser atribuído à perda de tempo. Talvez se o tema tivesse sido levado mais a sério, talvez se os horizontes não se demonstrassem tão tacanhos, talvez se o autor não se quisesse tornar uma referência, então sim: esta obra teria tido algo de interessante para narrar, o que é pena, porque adorei ‘A terceira visão’ e, sinceramente, esta obra não me deixou a melhor impressão sobre o autor. Se lerei mais algum livro dele? Não sei.

Podem ler o livro em pdf aqui.