Louco por viver (2013), Roberto Shinyashiki

louco_por_viver

Em uma época em que é tão comum se sentir perdido, vemos que a infelicidade e o desânimo se tornaram as coisas mais democráticas do mundo: quase ninguém escapa deles. Tanto para os jovens quanto para quem já tem mais experiência, é comum sentir que a empolgação muitas vezes se perde nos cantos do cotidiano e da rotina. Tem gente que não acredita mais em amor, desejo, prazer de viver a vida. Chega um momento da vida no qual descobrimos que o prazer de viver não é algo que se compra, nem se encontra no fundo de uma sacola de roupas ou naquele pedaço de bolo de chocolate. Falta… paixão. Em seu novo livro, Roberto Shinyashiki não promete nada, só toda a felicidade do mundo. Isso mesmo, você leu certo. Em algum momento, nossa loucura e nossa paixão podem ter se perdido, mas uma vida prazerosa e cheia de energia é um desejo da alma que não pode ser ignorado por muito tempo. Aqui você é convidado a realizar o impossível: aquele projeto que sempre viveu guardado no coração, o emprego dos sonhos, o relacionamento que faz andar nas nuvens. Entenda como tudo isso está só esperando pelo seu primeiro passo e deixe o autor mostrar como dar esse salto. Descubra que você tem tudo para ser louco por viver. A vida não é uma, a vida é muitas. E a sua está prestes a se reinventar.

Apreciação

“Desperte a sua paixão pela vida” é a assinatura deste livro que se centra na vontade se ser feliz. ‘Louco por viver’ é um livro que se enquadra no género de Auto-ajuda, dadas as dicas e conselhos que dá a quem precisa de alguma orientação para se tornar um apaixonado pela vida.

Tal como o nome do livro indica, pretende-se que o leitor se torne um louco por viver, soltando-se de preconceitos, obstáculos e dificuldades que o podem impedir, mesmo que inconscientemente, a ser verdadeiramente feliz. Quem me acompanha no Folhas de Papel, sabe que este tipo de leitura é rara em mim. Contudo, este ‘Louco por viver’ abriu uma excepção. Vejamos porquê.

Roberto Shinyashiki é um médico psiquiatra com décadas de experiência em terapia, sendo um autor reconhecido internacionalmente pelas palestras em que participa e pelos livros que edita no género de Auto-ajuda. Viajado, especializado e apaixonado, Roberto Shinyashiki tem-se dedicado em temas como a felicidade, o sucesso e a carreira profissional, posicionando-se como um coach nessas áreas.

Por esse motivo, a abordagem que faz em ‘Louco por viver’ não é, de todo, técnica. Longe de chavões da psiquiatria, da psicologia ou da filosofia, Shinyashiki assenta em terapêuticas e correntes destas matérias para trocar por miúdos uma única mensagem: é fácil ser feliz. Quanto a mim, adoro temas mais massudos e linguagens mais técnicas que aprofundam e esmiúçam a mente e o funcionamento humano. Contudo, a simplicidade e a ligeireza com que o autor aborda algumas questões não deixam de ser contagiantes.

A importância da partilha, o alcance de objectivos, a relevância da autenticidade, a necessidade da descontracção, a prioridade que é a confiança e a transformação da fraqueza em forças são temas abordados com muito optimismo, com recurso a exemplos práticos e uma linguagem coloquial. Parece-me que, mesmo que uma pessoa não seja adepta de livros deste teor, é difícil ficar impassível com alguns dos conselhos partilhados pelo autor. Fiquei com algumas dúvidas sobre algumas das sugestões dadas, nomeadamente sobre a libertação do passado para um presente mais saudável e sobre o desembaraço de algumas situações para facilitar para simplificar o dia-a-dia, nomeadamente porque na primeira situação é preciso ter alguns conhecimentos aprofundados sobre a consciência e inconsciência e porque, na segunda, o facilitismo não me parece ser uma forma de estar saudável. Neste aspecto, talvez o livro se torne um pouco vago e insuficientemente técnico. Mas é curioso: estando eu a divagar sobre estes temas só reforça a ideia de que, realmente, este livro se molda ao que os leitores procuram e querem para si.

“Ter atitude”, “ganhar perspectiva” e “saber sorrir” são mensagens optimistas e contagiantes que nos deixam uma sensação leve quando chegamos à última página. E é isso que queremos quando terminamos uma leitura, não é?

Outras opiniões sobre o livro:

Silêncios que falam
Destante:
As leituras do corvo