Tema a tema – Contos noutras línguas

A rubrica Tema a Tema da semana passada dedicou-se a contos escritos em língua portuguesa. Hoje, o Folhas de Papel partilha alguns dos seus contos preferidos e, ainda, as sugestões dadas pelos leitores. Querem adicionar alguns à lista?

O muro, Jean Paul Sartre

muro_sartre“O muro” (1939) é uma coletânea de cinco contos que servem de pano de fundo para a reflexão sobre temas frequentes no pensamento de Sartre: a crítica à sociedade burguesa, os paradoxos da existência, a angústia, a doença.

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A derrocada da Baliverna, Dino Buzzati

derrocada_balivernaNa história que dá o título ao livro, um homem vulgar decide-se a escalar clandestinamente a parede da Baliverna, um velho mosteiro degradado e transformado em refúgio de vagabundos e bandidos. Essa acção imponderada é punida com a derrocada de todo o edifício, provocando o terror do castigo subsequente. Em «Encontro com Einstein», descobrimos que é o próprio Diabo quem secretamente incentiva as descobertas científicas do génio. Em histórias como «Rigoletto», ou «A Máquina» são os próprios objectos, as máquinas modernas, que em confronto com o mundo dos mitos e da natureza, assumem uma personalidade autónoma que incarna todos os aspectos negativos do Homem: vaidade, inveja e crueldade. Assim é o terceiro volume de contos publicado pelo autor (depois de “Os Sete Mensageiros” e “Pânico no Scala”), “A Derrocada da Baliverna”, é apontado pelo público e pela crítica como um dos livros mais conseguidos na carreira de Dino Buzzati.

Pequenos mistérios, Bruce Holland Rogers (livro sugerido pela Célia do blog Estante de Livros)

pequenos_misteriosMais um nome da melhor literatura fantástica actual revelado pela Livros de Areia, Bruce Holland Rogers chega pela primeira vez ao público leitor de língua portuguesa. Mestre da prosa concisa, rica e envolvente, o autor apresenta-se com Pequenos Mistérios, uma colectânea de quarenta contos inesquecíveis, que lhe valeu o muito cobiçado World Fantasy Award em 2006 (na categoria de “Colectâneas”), no mesmo ano em que Haruki Murakami venceu na categoria de “Romance” por Kafka on the Shore. No prefácio, escrito exclusivamente para esta edição, Jeff VanderMeer (autor de A transformação de Martin Lake) escreve: “invejo todos aqueles que se deparam com este livro pela primeira vez. Sentirão o prazer da descoberta e da revelação que eu próprio tive – um prazer divertido, horripilante e comovente. Espero que o leitor saiba reconhecer o talento aqui apresentado, bem como a sabedoria, e que dedique toda a sua atenção a esta colectânea. Quanto mais investir em Pequenos Mistérios, maior será e continuará a ser o retorno.”

Os objectos chamam-nos, Juan José Millás (livro sugerido pela Célia do blog Estante de Livros)

os_objectos_chamamnosO mistério no virar de cada esquina. Mulheres grandes que sonham com homens pequenos. Máquinas que transpiram. Frangos que saem do mercado mas que nunca chegam à mesa. Mentias que se tornam em realidades inexplicáveis. Pequenos mal entendidos que dão lugar a perguntas fundamentais. Delírios sensatos.

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Contos inéditos de Truman Capote (autor sugerido pela Sara do blog Desabafos Agridoces)

truman_capoteO editor suíço Peter Haag e a sua mulher, a jornalista Anuschka Roshani, descobriram em Nova Iorque 20 contos e uma dúzia de poemas inéditos do escritor norte-americano Truman Capote (1924-1984), que morreu há 30 anos. O achado foi capa da revista ZEITmagazin, do semanário alemão Die Zeit, que publicou, na sua edição de 9 de Outubro, traduções de quatro dos contos agora encontrados: Miss Belle Rankin, This Here Is from Jamie, Saturday Night e The Horror in the Swamp.

Contos de Alice Munro (autora sugerida pela Sara do blog Desabafos Agridoces)

alice_munroNascida numa família de criadores de raposas, Alice Munro começou a escrever na adolescência, tendo publicado o seu primeiro conto, The Dimensions of a Shadow, em 1950, quando frequentava a universidade. Ao mesmo tempo, ia ganhando dinheiro em empregos ocasionais, trabalhando em restaurantes, na apanha de tabaco, ou como bibliotecária. A sua primeira colectânea de histórias, Dance of the Happy Shades, saiu em 1968 e foi um sucesso imediato, tendo ganho o mais importante prémio literário canadiano e recebido o elogio unânime da crítica. O livro seguinte, Lives of Girls and Women (1971), é ainda hoje o seu único romance, e não falta quem ache que se trata, na verdade, de uma sucessão de contos articulados entre si. Munro publicou mais de uma dúzia de colectâneas de histórias curtas, muitas delas editadas em Portugal pela editora Relógio d’Água, incluindo a mais recente, Amada Vida (Dear Life, 2012), traduzida pelo poeta José Miguel Silva.