Diz-me o que lês, dir-te-ei quem és

Ao ler este texto de José Cabrita Saraiva, identifiquei-me imediatamente. Quando vou a casa de alguém, e mesmo que a visita seja frequente, tenho o hábito de espreitar com atenção as estantes de livros. Vejo os títulos e as edições, analiso os géneros predominantes e os anos de publicação, atento à forma como as obras estão organizadas… e, de uma forma ou de outra, sou capaz (ou tento sê-lo) de perceber os interesses dos donos do livros e ‘traçar o seu perfil’ literário.

Procurando determinados pormenores, é possível descobrirmos algumas curiosidades sobre as pessoas em cuja casa estamos. Será que é verdade quando se diz que “Diz-me o que lês, dir-te-ei quem és”? Ora vejamos:

  • Quais são os livros em destaque? Aqueles que estão à altura do olhar são, por norma, os que chamam a atenção mais rapidamente aos convidados. Será, portanto, que os donos da casa os colocaram deliberadamente nessa prateleira, expondo as suas preferências?
  • Quais são os géneros predominantes? História, literatura ficcional, contos de fadas, livros técnicos, clássicos… Os livros que compõem uma estante podem revelar os interesses e actividades dos seus donos: a sua profissão, interesses lúdicos, locais de eleição, temas para debate…! Quando falta assunto, não é difícil perscrutar rapidamente a estante para encontrar um livro sobre que falar.
  • Como estão organizados por livros? Por tema, género, editora, tamanho, ano de edição? Dependendo da forma como estão organizados – e acredito que todas as pessoas têm uma forma muito própria de o fazer – talvez consigamos deslindar que tipo de leitor é o nosso anfitrião.
  • Quantas estantes há e como são? Diz-se normalmente que o tamanho não interessa e talvez essa ideia se aplique aos amantes de livros para percebermos que relacionamento têm com os mesmos. Leitores há-os de todos os géneros: os que compram em segunda mão e doam após a leitura; os que vão à biblioteca; os que guardam os livros mais importantes; e os que coleccionam qualquer tipo de livro, armazenando-os em tantas pilhas e estantes quanto possível.

Não sei como avaliar as minhas estantes, que me são tão familiares. Mas, de acordo com os critérios acima descritos, é possível que os meus convidados encontrem lá em casa muitos livros históricos e clássicos, muitos livros técnicos sobre várias áreas relacionadas com o meu emprego e vida privada, muitas biografias e livros juvenis. Talvez me possam considerar como uma coleccionadora com falta de espaço obsessiva-compulsiva com a organização dos livros, visto que me sigo pelos seguintes critérios de organização: por género – tema – autor – colecção – editora – número. Será demais?🙂

E vocês? Quais as vossas manias?