Escrever para sarar

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Quem gosta de escrever, tem motivos muito íntimos para o fazer. Escreve para partilhar, desabafar ou libertar. Escreve para inventar histórias, narrar acontecimentos ou opinar. Escreve para se fazer entender, para comunicar e para receber.

Depois de ler este texto que reflecte sobre a necessidade que algumas pessoas têm em escrever, fiquei a pensar sobre o efeito terapêutico que a escrita pode ter.

Face a problemas que insistem em invadir os nossos pensamentos, a autora desse texto, Paula Romano, confessa que escreve para salvar a sua vida. Sempre que se sente angustiada, Paula escreve tudo o que a assola para conseguir, de certa forma, expurgar o que a atormenta.

Assim, a sua recomendação é que as pessoas escrevam para se sentirem mais tranquilas: pode ser em papel, no computador, no telemóvel ou mesmo num guardanapo. O importante será mesmo escrever aquilo que preocupa as pessoas e libertar essa sensação incómoda, o que resulta na aceitação do conselho de Clarice Lispector:

Às vezes escrever uma só linha basta para salvar o próprio coração.

Na minha opinião, escrever é libertador. Talvez não da forma que Paula Romeno diz, mas no sentido de acalmar as ideias. Louis Scutenaire, poeta, disse que apenas escrevia para sossegar as histórias que criava mentalmente

Eu escrevo para libertar o meu cérebro, não para atravancar o dos outros.

Eu todo o caso, esta não deixa de ser uma cura para o problema que as mentes criativas têm: passe-se para o papel aquilo que não queremos que esteja em nós. Assim, também podemos dizer que a escrita pode mesmo sarar.

E, o que é entusiasmante, é que, na literatura, o que os outros libertam é o que nos faz pensar.