A primeira adaptação para rádio de ‘1984’ * First audio adaptation of ‘1984’

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Desde que George Orwell publicou a sua fábula política de referência, ‘1984’, muitas gerações têm encontrado motivos para a referir sempre que se fala de um futuro próximo. Tenha tido Orwell uma visão profética ou demonstrado ser apenas um leitor astuto das instituições em seu redor, o que é de destacar é que o autor conseguiu marcar o tom dos filmes e livros de ficção dos sessenta anos seguintes. As suas projecções totalitárias ficcionais que roçam cenários de pesadelo atingem um patamar assustador no momento em que se transpõe para a realidade precisamente o que o autor desenhou – à semelhança do futuro especulativo de Aldous Huxley.

Mesmo as instituições que maiores probabilidades têm de prosperar na visão de Orwell co-adaptaram a sua obra para os seus próprios objectivos. A CIA reescreveu a versão animada do filme ‘Animal farm’ e a Apple apropriou-se do ‘1984’ no anúncio da Super Bowl de Ridley Scott nesse mesmo ano, para o optar para a Macintosh. Mas é claro que nem todas as adaptações desta obra foram criadas com propósitos oportunistas políticos ou comerciais. Muito antes do anúncio da Apple e da adaptação cinematográfica de Michael Radford, surgiu em 1949 um argumento radiofónico. Contando com David Niven como narrador e comentários pelo autor James Hilton, o programa foi para o ar enquadrado na série de rádio educativa NBS University Theater.

Este drama radiofónico consistiu na “primeira produção áudio para a mais desafiante novela de 1949”, iniciando-se com esta frase que prepara os ouvintes para uma emissão perturbadora. Para o público no outro lado das atrocidades nazis e dos bombardeamentos no Japão, tendo uma ameaça do comunismo soviético, a ficção distópica de Orwell deve ter parecido medonha e transtornante.

Oiça a emissão completa, dividida em quatro partes, mesmo aqui. Também a pode descarregar aqui em vários formatos, mesmo para o Spotify.

A informação foi tirada e traduzida daqui.

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Since George Orwell published his landmark political fable 1984, each generation has found ample reason to make reference to the grim near-future envisioned by the novel. Whether Orwell had some prophetic vision or was simply a very astute reader of the institutions of his day—all still with us in mutated form—hardly matters. His book set the tone for the next 60 plus years of dystopian fiction and film. Orwell’s own political activities—his stint as a colonial policeman or his denunciation of several colleagues and friends to British intelligence—may render him suspect in some quarters. But his nightmarish fictional projections of totalitarian rule strike a nerve with nearly everyone on the political spectrum because, like the speculative future Aldous Huxley created, no one wants to live in such a world. Or at least no one will admit it if they do.

Even the institutions most likely to thrive in Orwell’s vision have co-opted his work for their own purposes. The C.I.A. rewrote the animated film version of Animal Farm. And if you’re of a certain vintage, you’ll recall Apple’s appropriation of 1984 inRidley Scott’s Super Bowl ad that very year for the Macintosh computer. But of course not every Orwell adaptation has been made in the service of political or commercial opportunism. Long before the Apple ad, and Michael Radford’s 1984 film version of Nineteen Eighty-Four, there was the 1949 radio drama above. Starring British great David Niven, with intermission commentary by author James Hilton, the show aired on the educational radio series NBC University Theater.

This radio drama, the “first audio production of the most challenging novel of 1949,” opens with a trigger warning, of sorts, that prepares us for a “disturbing broadcast.” To audiences just on the other side of the Nazi atrocities and the nuclear bombings of Japan, then dealing with the threat of Soviet Communism, Orwell’s dystopian fiction must have seemed dire and disturbing indeed. In addition to the Internet Archive stream, you can download the program in various formats at their site, or listen to it above on Spotify.