The book of questions (1987), Gregory Stock

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“Pergunte aos seus amigos, aos seus pais ou a um mero conhecido. Este livro dá-lhe permissão para se questionar sobre temas demasiado ousados, embaraçosos ou difíceis. Aborda a integridade, sexo, dinheiro e outros temas pessoais. Pode tornar-se uma ferramenta de autoconhecimento ou de provocação para estimular uma conversa rica, desafiando atitudes, morais e crenças”.  – tradução livre

Apreciação

‘The book of questions’ é um livro que pode ser encarado de várias formas: numa perspectiva de autoconhecimento, psicanalítica, sociológica, socio-cultural ou entre muitas outras. Embora a abrangência desta compilação de perguntas possa colocar o livro nas estantes de vários géneros literários, optei por o colocar nos de auto-ajuda, visto que pode ser uma ferramenta muito útil para nos conhecermos a nós próprios. Mas desengane-se quem pensa que vai encontrar resposta para algumas perguntas moralmente questionáveis: não há respostas. E mais: não há resposta certas ou erradas. Há, sim, respostas honestas ou desonestas (usando as palavras do autor).

Gregory Stock é biofísico e autor de bestsellers. Este empreendedor biotecnológico, com um vasto percurso na Medicina e Tecnologia, tem um longo histórico no que respeita a… perguntas. Autocrítico e curioso por natureza, Stock tem anotado perguntas ao longo de toda a sua vida que, com o passar do tempo, compilou em livros vários sob algumas temáticas, como o ‘The Kids’ Book of Questions’ ou o ‘Business, Politics, and Ethics: The Book of Questions’.

Com o ‘The Book of Questions’, todos somos abrangidos. Por não haver uma categorização das perguntas, o seu carácter é generalista e inteligível por qualquer pessoa e em qualquer país. Numa perspectiva geral, as perguntas são interessantes e muitas delas podem deixar o leitor a questionar-se sobre um determinado tema. Por serem sobre assuntos tão variados, é natural que os leitores se identifiquem mais com as perguntas (e respostas) que estão genuinamente ligadas a si, ao seu dia-a-dia e à sua vida.

Perguntas como “Aceitaria dormir ininterruptamente durante 5 anos se isso lhe oferecesse sonhos lúcidos e espantosos?” são recorrentes, embora questões morais sejam levantadas também com frequência: “Se tivesse de optar por salvar 40.000 pessoas num terramoto no Chile ou um amigo seu que tivesse um acidente de carro, o que faria?” ou “Seria capaz de matar uma borboleta ‘a frio’ se isso lhe garantisse a felicidade? E uma barata? Acha que a beleza deve definir o destino dos animais / pessoas?”. E há outras que abordam estilos de vida: “Se tivesse de escolher, preferia viver sendo bonito, rico ou inteligente?”.

Uma das coisas mais interessantes sobre que reflectir sobre este livro não são os temas em si, mas a forma como as perguntas estão feitas e, no cômputo geral, porque há comparações e desafios colocados de determinada maneira. O leitor deverá deixar isso ao seu critério e, mais uma vez, deverá ser o seu espírito crítico a avaliar a forma como encarará o livro, quando o terminar. Na minha opinião, há enormes diferenças culturais entre a origem do livro e o seu destino. Norte-americano de nascença, Stock aborda assuntos e concebe perguntas que fazem sentido sociologicamente no seu país. Desta forma, é a geografia que determina a identificação de quem lê face ao que é exposto ao longo das 300 páginas do livro. Se, na América do Norte se dá uma importância importância aos status social, em Portugal, neste caso, a forma como encaramos o estatuto é diferente. Isso aplica-se repetidamente aos temas abordados mas, parece-me, há uma certa insistência na imagem e na necessidade de enquadramento social.

Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo.

– Sigmund Freud –

Vamos associar este princípio ao livro?