O contador de histórias

Aquele que tem o dom da palavra e de cativar o interesse dos seus ouvintes e leitores. É aquele que lança uma dúvida e que lentamente vai desvendando o mistério. É quem cria todo um imaginário e convida todos à sua volta para o conhecerem.

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O contador de histórias é uma figura que apareceu na antiguidade greco-romana e era conhecido como o bardo, o homem que cantava todo o género de histórias e que inspirava adultos e crianças com as suas palavras ricas em personagens e aventuras. Também na Idade Média o contador de histórias hipnotizava os seus ouvintes com narrativas envolventes e entusiasmantes. É ainda importante referir a importância que as histórias têm no desenvolvimento pessoal e no crescimento da criança, nomeadamente através da leitura dos contos de fadas.

O contador de histórias nunca se limitou a ser um mero ‘narrador’, visto que sempre teve a enorme capacidade de ‘ler’ os seus ouvintes e de os envolver cada vez mais de acordo com as suas reacções. Para que tal aconteça, tem de dominar as figuras de linguagem, possuir um vasto vocabulário, ter um pensamento e criatividade flexíveis e conseguir responder à forma como os seus ouvintes reagem, de forma a suscitar a curiosidade de quem o rodeia e de criar um ambiente altamente envolvente.

A narração de histórias é uma disciplina apaixonante e capaz de atrair muitas pessoas, o que se pode notar através do crescente interesse e adesão por parte de ‘amadores’ (pessoas em formação na área da literatura ou afins) que escrevem precisamente para contar as suas próprias histórias. E, em muitos casos, há quem seja bem-sucedido nesta demanda (vejamos, pois, os vários concursos para escritores amadores lançados por importantes editoras como, por exemplo, o Prémio Leya).

Embora esta seja uma área ainda um pouco escondida em Portugal, há algumas iniciativas um pouco por todo o país que poderão ajudar os contadores de histórias a ganhar a dimensão merecida, como o projecto Voluntários na Leitura, que desafia as pessoas a contarem histórias a quem não o consegue fazer; a primeira escola de narração em Portugal, a Escola de Narração Oral Itinerante, no Porto; e mesmo o apoio da comunicação social na divulgação desta ocupação tão empolgante.

E os meus caros leitores são contadores de histórias?