O andar do bêbado (2008), Leonard Mlodinow

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“O Andar do Bêbado”, do físico americano Leonard Mlodinow, explica porque é que as pessoas apresentam tanta dificuldade em aceitar o acaso e compreendê-lo. Segundo Mlodinow, os processos aleatórios são fundamentais na natureza e omnipresentes na vida quotidiana. Ainda assim, a maioria não os compreende nem pensa muito a seu respeito. Como não estamos preparados para lidar com o acaso, muitas vezes tomamos decisões erradas ao ignorá-lo, apoiados na ilusão de controlo. Num tom irreverente, o autor costura casos emblemáticos a teorias matemáticas, citando pesquisas e exemplos presentes em todos os âmbitos da vida, do mercado financeiro ao desporto, de Hollywood à medicina. Mais do que uma visão geral sobre a aleatoriedade, sorte e probabilidade, Mlodinow lembra que muitas coisas nas nossas vidas são tão previsíveis quanto o próximo passo de um bêbado depois de uma noitada. É impossível manter o mesmo olhar face aos acontecimentos depois de ler estas teorias.

Apreciação

“É uma pessoa com sorte”, “Deve ser uma máquina a trabalhar” ou “Não há ninguém com a sua visão” são frases que cairão em desuso por todos aqueles que leiam O Andar do Bêbado, os quais passarão por optar por uma abordagem mais realista que pode ser exprimida por apenas quatro palavras: “As coisas correram bem”.

Em O Andar do Bêbado – Como o Acaso Determina as Nossas Vidas, Leonard Mlodinow troca por miúdos a linguagem da matemática e da estatística para ilustrar o enorme poder da aleatoriedade no quotidiano, cujas situações são comummente atribuídas à sorte. O autor Mlodinow aplica a lei da aleatoriedade e as probabilidades de um determinado evento acontecer, o qual é influenciado por dezenas, centenas, milhares de outros acontecimentos. Na verdade, as circunstâncias são determinantes. Vejamos: porque é que uma marca nova no mercado, lançada por uma micro-empresa, é tão fácil e rapidamente aceite, quando uma outra, que necessitou de um investimento maior e que foi lançada com base num estudo intenso do consumidor durante cinco anos, não vingou no mercado? É possível (ou justo) que o profissionalismo de uma das maiores produtoras de cinema norte-americanas seja posto em causa depois de 15 anos a exercer funções, quando os filmes lançados nesse período não tiveram sucesso entre os espectadores? Como é que as sondagens com previsões de resultados políticos possam, por vezes, ser tão enganadores e, em outras alturas, ficar tão próximos da realidade? Como encarar as teorias da conspiração? Tudo isto é atribuído à lei da aleatoriedade e à estatística e é em O Andar do Bêbado – Como o Acaso Determina as Nossas Vidas que é explorada a sua importância.

Com passagens que requerem mais atenção sobre os cálculos feitos para determinar ou prever determinada situação, este livro debruça-se precisamente sobre a capacidade de antecipar acontecimentos, com base na probabilidade, bem como na análise de resultados depois de um evento tomar lugar. A teoria do caos, por exemplo, é um dos estudos abordados: uma decisão, por mais pequena que seja, influencia tudo o que se lhe segue. É precisamente a imprevisibilidade e a conjugação de inúmeros elementos que tornam a realidade como a conhecemos. Por isso é que há CEOs em grandes empresas que conseguem alcançar um sucesso tremendo, enquanto pessoas com provavelmente o meu perfil profissional se ficam pelo caminho. Resumindo: as coisas correram-lhe bem.

Com uma forte componente histórica, que nos remete para a Idade Média para percebermos como a matemática entrou no quotidiano e como a aleatoriedade começou a ser estudada, este livro fez um enorme sucesso entre interessados na aleatoriedade.

Saiba mais sobre O Andar do Bêbado – Como o Acaso Determina as Nossas Vidas

Se ficou interessado neste livro, leia as opiniões dos bloggers do ponto de acumulação e do FabioFortkamp. Não deixem de visitar a secção de comentários do livro no Goodreads, que certamente aliviarão a curiosidade sobre os exemplos dados por Mlodinow.