As memórias de Cleópatra, vol III (1997), Margaret George

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Escritas na primeira pessoa, As Memórias de Cleópatra começam com as suas recordações de infância e vão até ao seu glorioso reinado, quando o Egipto se torna num dos mais deslumbrantes reinos da Antiguidade. As Memórias de Cleópatra são uma saga fascinante sobre ambição, traição e poder, mas também são uma história de paixão. Depois de ser exilada, a jovem Cleópatra procura a ajuda de Júlio César, o homem mais poderoso do mundo. E mesmo depois do assassinato daquele que se tornou o seu marido, e da morte do segundo homem que amou, Marco António, Cleópatra continua a lutar, preferindo matar-se a deixar que a humilhem numa parada pelas ruas de Roma. Na riqueza e autenticidade das personagens, cenários e acção, As Memórias de Cleópatra são um triunfo da ficção. Misturando História, lenda e a sua prodigiosa imaginação, Margaret George dá-nos a conhecer uma vida e uma heroína tão magníficas que viverão para sempre.

Apreciação

As opiniões dividem-se: ou se adora As Memórias de Cleópatra ou pára-se a leitura a meio. Considerando os comentários dos leitores no Goodreads, não é só a extensão desta obra que desincentiva a leitura desta biografia, mas o nível de pormenorização em cada uma das passagens.

A edição portuguesa tem uma enorme vantagem face à original: está dividida em três partes. Assim sendo, a leitura desta trilogia tão extensa, que soma aproximadamente 1280 páginas, acaba por permitir uma pausa na leitura e a não desencorajar os leitores menos atreitos a histórias tão detalhadas e longas. Vemos que temos, então, dois principais elementos que caracterizam estas Memórias: 1. a riqueza de detalhes; 2. a forte componente histórica. Comecemos por partes.

A riqueza de detalhes no terceiro volume mantém-se, portanto, tal como nos dois primeiros. Se no primeiro volume é focado o relacionamento com Júlio Cesar e as consequências políticas resultantes de uma indesejada ligação entre o Egipto e Roma e no segundo acompanhamos a maturidade de Cleópatra como mulher e como rainha, no terceiro volume embarcamos numa viagem que nos traça com uma enorme precisão os confrontos bélicos que advieram das escolhas feitas por Cleópatra anos antes. Falamos, claro está, da guerra declara por Roma a Alexandria e às batalhas que levaram à queda do império egípcio. Imagine, então, caro leitor, que uma câmara acompanha a vida de Cleópatra e que tudo o que nos ouvimos é narrado pela sua voz. Margaret George, nas notas finais do livro, faz questão em frisar que todos os grandes acontecimentos incluídos nesta obra são verídicos e que a sua investigação passou pela leitura de compêndios de referência escritos não só por historiadores contemporâneos, mas também por escribas contemporâneos da rainha. Isso aliado à rica imaginação da autora resulta em mais de um milhar de páginas repletas de detalhes – objectos, cheiros, sabores, diálogos, pensamentos e previsões. Talvez seja por esse motivo que, com passagens tão descritivas, alguns leitores considerem o livro demasiado massudo e com um ritmo demasiado lento. Quanto a mim, Margaret George optou pela melhor forma de nos fazer mergulhar na História egípcia. “É como se os frescos ganhassem vida!”, diz uma das críticas na capa do livro.

Chegamos, então, à componente histórica. Como afirmo acima, a autora fez um extenso trabalho de investigação que permitiu compilar os momentos mais importantes do percurso de Cleópatra, bem como algumas das suas características que sobreviveram a mais de dois milénios até chegarem a nós. Nas suas notas finais, George diz ainda que a parcialidade sobre determinados assuntos influenciou fortemente algumas percepções, pelo que não é fácil concluir se a rainha terá sido de uma beleza extraordinária ou se era o seu carácter que a engrandecia. Esta dualidade de opiniões é atribuída à opinião tanto dos seus aliados como dos seus inimigos, cujos testemunhos são ainda guardados a sete chaves. O que não deixa margem para dúvidas são as decisões tomadas por Cleópatra, bem como a sua grandeza de espírito e as crónicas bélicas entre as enormes potências Roma e Alexandria. Para descrever tudo isto, a autora guiou-se por tudo o que conseguiu compilar durante anos, incluindo nas suas quatro viagens ao Egipto.

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Clique para aumentar. Cleópatra numa gravura pintada à mão em papiro natural egípcio.

Com esta obra que demorou mais de dois anos a ser escrita, Margaret George refere que há várias apresentações incorrectas sobre Cleópatra, afirmando que a sua é a obra historicamente mais próxima da realidade, considerando a dificuldade que é aceder à informação. No fundo, a autora considera a última rainha do Egipto como uma líder política que sofreu com a forte propaganda romana que acumulara séculos de força, a qual desprezava totalmente Cleópatra.

Se ficou interessando neste livro

não perca a mini-série que foi lançada em 1999 pela ABC, chamada Cleópatra, e conheça uma das grandes obras-primas do cinema com o mesmo nome, realizado por  Joseph L. Mankiewicz em 1963, com Elizabeth Taylor como rainha. Mas há muitas adaptações não só cinematográficas, como interpretações literárias e artísticas. Pode saber mais aqui. Conheça melhor a autora, as críticas e as Memórias de Cleópatra no site oficial de Margaret George.