Harry Potter and the Cursed Child (2016), J. K. Rowling, Jack Thorne e John Tiffany

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Apreciação

Depois do sucesso que a saga Harry Potter alcançou, não seria de pensar que escrever sobre o ‘depois’ poderia ser arriscado? J.K.Rowling não é, se bem sabemos – ao acompanhar o seu percurso ao longo dos últimos anos e a sua presença online -, pessoa que receie sobre a importância de cada uma das suas histórias. Pelo contrário, esta contadora de histórias conhece Harry e os seus amigos e não hesita em falar sobre as suas vidas. Digamos que frequenta as suas casas.

Olhando atentamente para a autora nas redes sociais, é fácil percebermos que Harry Potter é muito mais do que o protagonista de uma saga de sucesso: é uma figura acarinhada que, aos olhos dos fãs, pode muito bem ser uma personagem real. É verdade que a comunidade online vibra com J.K.Rowling e que a história dos sete livros se alarga e abrange muito mais do que aqueles sete livros. Poderemos ver a explicação da autora sobre a vida das personagens, numa perspectiva inédita, não abordada nos livros: por exemplo, porque é que os Dudley odeiam tanto o Harry?

Não é de estranhar, portanto, que ‘o depois’ seja muito esperado e que os fãs estejam em pulgas para saber o que aconteceu, afinal, a Harry Potter. A autora afirmou que não pretendia escrever outro romance mas, ainda assim, decidiu acarinhar os leitores com uma peça de teatro que permite um relance sobre Harry, a idade adulta, a família e a capacidade de deixar o passado para trás. E como o fez?

Em ‘Harry Potter and the cursed child’, fazemos a incursão pela vida adulta de Harry. Mas, mais do que isso, somos brindados com uma das mais antigas e, ainda assim, intemporais questões familiares: o relacionamento entre pai e filho. Conhecendo a infância e adolescência de Harry, um rapaz que nunca pediu para ser quem era e que nunca quis ser famoso, sabemos que sempre teve dúvidas sobre o seu percurso. Sempre sentiu medo. Sempre duvidou de si. Mas, o que acontece quando este rapaz cresce, já resolvido, e tem de lidar com um filho que não se sente capaz de lidar com o passado do pai? O que esperar de um pai que tem de lidar com um filho solitário e inseguro, sobretudo quando este homem nunca teve uma figura paterna e, à sua maneira, cresceu na mais profunda solidão?

Independentemente de onde a magia nos pode levar – e, acreditem, levar-vos-á a lugares fantásticos ao longo destas páginas -, surgem questões muito prementes que tornam esta leitura muito mais intensa do que poderá parecer à primeira vista: se chegámos aqui, tivemos de fazer um longo percurso. Mas se tentarmos mudar o nosso caminho, saberemos o que será de nós? É possível a solidão quando estamos rodeados? É possível melhorarmo-nos, mesmo quando pensamos que é uma tarefa hercúlea?

Em poucas horas, lendo ‘Harry Potter and the cursed child’, é possível ter a resposta a estas perguntas. Depois disso, temos esperança que J.K.Rowling continue a escrever sobre este mundo encantado, mesmo que seja apenas sobre as gerações seguintes.

Sinopse

The Eighth Story. Nineteen Years Later. Based on an original new story by J.K. Rowling, Jack Thorne and John Tiffany, a new play by Jack Thorne, “Harry Potter and the Cursed Child” is the eighth story in the Harry Potter series and the first official Harry Potter story to be presented on stage. The play will receive its world premiere in London’s West End on 30th July 2016. It was always difficult being Harry Potter and it isn’t much easier now that he is an overworked employee of the Ministry of Magic, a husband, and father of three school-age children. While Harry grapples with a past that refuses to stay where it belongs, his youngest son Albus must struggle with the weight of a family legacy he never wanted. As past and present fuse ominously, both father and son learn the uncomfortable truth: sometimes, darkness comes from unexpected places.