Das histórias, uma reflexão

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Disse ontem José Rodrigues dos Santos, como apresentador do livro de Julia Navarro que estará à venda já na próxima sexta-feira, A História de um Canalha, que, para se escrever um livro, é necessário ter apenas dois elementos: uma boa história e uma forma de a contar. Isto porque, diz o jornalista e escritor, há quem tenha excelentes histórias mas não trabalhe na sua forma; e quem tenha fantásticas formas mas uma narrativa pobre. O ideal é ter-se uma combinação de ambos.

Surgem, portanto, algumas questões: o que é uma boa história e o que é uma boa forma? O conteúdo e a forma devem estar sempre associados ou uma pode salvar a outra? Será que Mário de Carvalho está a ser provocado com esta afirmação por, no seu livro Letras Sem Tretas, referir que qualquer um pode ser escritor se assim o quiser? Porque, na verdade, o importante é escrever.

Martin Amis, no seu A Seta do Tempo – que acabou de chegar a Portugal -, escreveu um livro que se passa às arrecuas. Não se trata apenas de um livro cuja história é contada de trás para a frente mas, efectivamente, de um livro que, literalmente, conta tudo às arrecuas. A personagem principal não entende o que se passa consigo nem porque o tempo volta para trás. E, voltando o tempo atrás, a sua (in)consciência habitua-se a este novo regime temporal e acaba por se habituar à normalidade que é viver ao contrário. José Saramago em muitas das suas obras opta por um estilo linguístico que não é o considerado habitual: a pontuação, sabemos, diferencia muitos dos seus livros. Por seu lado, Stephen King afirmou em tempos que o que importa é ter uma história para contar e que o trabalho linguístico é secundário. O autor disse em tempos, não me lembro onde nem em que circunstâncias, que não é necessário dizer que a personagem questionou indignadamente ou que afirmou duramente, porque, pelo diálogo e pelo tom das personagens será possível aferir o que estas sentem em determinadas ocasiões.

O que preferem, pois, os leitores? Há tantas opiniões quantos leitores. Para mim, uma boa história é essencial para que consiga ler um livro e recomendá-lo. A narrativa, as personagens, as reviravoltas, as reflexões, o inesperado. São estes os factores que me levam a ler os livros que leio e a deixar outros para trás. Dentro dos meus géneros preferidos (os clássicos, os romances históricos e o suspense), a combinação destes elementos é vencedora. Mas, naturalmente, o estilo e a forma na narração de histórias é também primordial, porque transmite, a alma do escritor. E um livro sem alma é um livro vazio.