Nothing (2010), de Janne Teller

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When Pierre-Anthon realizes there is no meaning to life, the seventh-grader leaves his classroom, climbs a tree, and stays there. His classmates cannot make him come down, not even by pelting him with rocks. So to prove to Pierre-Anthon that life has meaning, the children decide to give up things of importance. The pile starts with the superficial—a fishing rod, a new pair of shoes. But as the sacrifices become more extreme, the students grow increasingly desperate to get Pierre-Anthon down, to justify their belief in meaning. Sure to prompt intense thought and discussion, Nothing—already a treasured work overseas—is not to be missed.

Apreciação:

Nothing é um livro que começou por ser proibido na Dinamarca e que, hoje, faz parte do Plano Nacional de Leitura. O que quererá esta transição dizer? Como é que o mesmo livro pode, num curto período, alcançar duas perspectivas e duas medidas tão opostas? A resposta não é simples nem fácil de encontrar pois, na verdade, espelha aquilo que o livro é: uma contrariedade; um duelo moral; um diálogo entre a crueza da vida e a sua paixão.

Certo dia, Pierre, um rapaz de 14 anos, afirma que a vida não faz sentido. Percebe – e isto é muito claro para Pierre ao longo do tempo – que a vida há-de chegar ao fim, independentemente do que se faça. E, por esse motivo, Pierre sobe a uma árvore e mantém-se escondido da realidade dos outros para que possa, única e exclusivamente, ver a vida passar. Mas os seus colegas de turma não concordam. 14 amigos de Pierre não conseguem sequer conceber o facto de Pierre ter, simplesmente, ter desistido de fazer a vida andar. Porque a vida continua. A vida vive-se. Na vida, tudo tem significado.

É precisamente nesta dualidade que o livro assenta. Com pouco mais de 120 páginas (na edição que li), Nothing acompanha o grupo de amigos de Pierre a tentar provar-lhe que a vida tem sentido e que o significado que lhe damos é, precisamente, aquilo que nos move, independentemente do ciclo da vida e da morte.

Para provar que o significado importa, os amigos criam uma pilha com objectos com significado para si. Um amigo coloca um objecto valioso seu nesta pilha e exige a outro amigo o que deve lá colocar. Esta doação tem de ser dolorosa, um martírio, algo que despoje a pessoa de algo com muito significado para si. E, naquilo que é uma rapidíssima escalada, começamos a explorar aquilo que é mais intenso na condição humana: o sofrimento. “Se eu me sacrifico, hás-de te sacrificar mais do que eu. Porque nada mais importa do que o significado da MINHA vida”. E, entre bicicletas e diários pessoas, encontrar-se-ão em breves despojos humanos e tantos outros materiais inconcebíveis.

Ou seja, por um lado, temos uma perspectiva altamente existencialista de encarar a vida: “Estou aqui, espero a morte”. E, do outro, uma perspectiva optimista e romântica da vida. Porque tudo significa e o caminho é a felicidade. E é precisamente quando duas perspectivas tão opostas chocam, nomeadamente através dos olhos de adolescentes com crenças tão fundamentalistas e absurdas do que é, de facto, a realidade, que Janne Teller conseguiu chocar a sociedade: este é um livro que não vai querer que o seu filho leia. Ou, afinal, talvez seja obrigá-lo a ler.

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